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Informe e Crítica

28 de jun. de 2026

A Juventude Pueril em “High School Musical 3”

 



A Juventude Pueril em “High School Musical 3”

Nildo Viana

 

Este filme é de 2008 e portanto o mais atual de todos*. O filme “High School Musical 3 – O Ano da Formatura”, Kenny Ortega (EUA, 2008) é um filme que os setores intelectualizados da sociedade, grande parte dos críticos de cinema e até pesquisadores e militantes políticos considerariam indigno de comentar, assim como o fazem em relação a diversos filmes chamados pejorativamente de “trash”. Sem dúvida, o filme é bastante fraco e não tem muitos atrativos, sendo um filme B (médio orçamento) e trivial. Porém, é um filme que faz parte da realidade social, sendo produto dela e agindo sobre ela, e, por conseguinte, é digno de comentários e análises, por mais negativas que elas possam ser.

Além disso, este filme também tem o papel de mostrar que uma assistência crítica pode ser realizada a partir de qualquer produção cinematográfica. Outro motivo para a escolha deste filme, embora milhares de outros, iguais ou radicalmente diferentes também tenham a mesma característica, é sua atualidade, embora seja expressão de um determinado tipo de filme, cuja características estão ligadas ao público a que se destina.

 

A) Contextualização

Novas mudanças sociais ocorreram em relação aos anos 1990. Na verdade, o mesmo regime de acumulação domina e o neoliberalismo é a forma estatal hegemônica. No entanto, é um estágio avançado do neoliberalismo, que passa a se tornar ainda mais repressivo e que já não se sustenta como pensamento único, sendo que seu edifício já possui muitas rachaduras. Assim, é o período de contradições crescentes. Este contexto histórico, no entanto, convive com um processo de hipermercantilização da cultura e a formação de nichos específicos de mercado, o que é explorado por diversos setores do capital cinematográfico.

Assim, o capital cinematográfico – e outros setores associados ou isoladamente – buscam constituir um novo nicho de mercado, um setor da juventude cuja idade está na fronteira com a infância, atraindo, portanto, crianças com idade acima de dez anos e jovens de até uns 20 anos aproximadamente. No setor cinematográfico, criou-se um filão de filmes para tal setor da juventude, com filmes triviais, tramas superficiais e simples, com personagens jovens e geralmente colegiais ou ainda em estágio anterior no processo educacional.

Este novo nicho de mercado fez fortuna com filmes como Pânico, que é de 1996, e suas seqüências: Pânico 2, Wes Craven (EUA, 1997) e Pânico 3, Wes Craven (EUA, 2000), o que inclui a paródia Tudo Mundo em Pânico e os diversos outros pânicos[1], o que deve ter feito a cabeça da juventude colegial ficar em “pânico” ou entrar em “pane”[2]. Na mesma trilha, para o mesmo público, surgiram High School Musical 1 e 2. O terceiro da seqüência é o filme que abordaremos adiante.

 

B) Informações Preliminares

O filme High School Musical 3 é um produto da Walt Disney Pictures, parte do império Disney, que conta com outros estúdios, editoras, e a partir de 2006 adquiriu a ABC, a maior rede de televisão dos Estados Unidos, além de ter o Disney Channel e Jetix, TVs por assinatura, e os canais de esporte do ESPN. Também possui complexos turísticos temáticos, tal como Disneylândia, em vários países (EUA, Japão, Itália, Hong Kong). O grande sucesso de Disney são os personagens de quadrinhos, Mickey, Pateta, Pato Donald e Tio Patinhas, entre outros, mas o império começou com o cinema, fundada com o nome Disney Brothers Studio, renomeado para Walt Disney, em 1926 e cujo foco sempre foi o desenho animado, principalmente voltado para seus personagens e contos de fadas, sendo que lançou vários curtas metragens sobre estes personagens desde 1928 e seu primeiro longa metragem foi Branca de Neve e os Sete Anões, David Hand (EUA, 1937) e depois amplia para outros tipos de animação e filmes, a partir dos anos 1960, o que se intensifica nas décadas seguintes. A partir do início do século 21, a Disney amplia seu império comprando outros estúdios e direitos (Pixar Pictures e a produtora japonesa de Power Rangers, os direitos de Pokemon, etc.).

Em 2006 lança High School Musical no Disney Channel e tem uma audiência recorde para TV por assinatura: mais de 7 milhões, o que será superado em 2007 por High School Musical 2, com mais de 17 milhões de assistentes. Devido a este sucesso de audiência, a Disney lança o terceiro da série não mais por sua TV e sim pelo cinema, já que teria sucesso de bilheteria garantido e poderia, como em breve irá ocorrer, passar na TV a cabo, tendo nova grande audiência. Ao lado da grande audiência e bilheteria, a trilha sonora dos dois filmes tiveram ampla vendagem, chegando a milhões de cópias vendidas, e alto lucro. No Brasil, High School Musical 3 foi a maior bilheteria na semana de seu lançamento, tendo um público de mais de 460 mil pagantes.

A Walt Disney Pictures teve como público prioritário o infantil, com seus desenhos animados e animações. A produção de filmes com pessoas reais inicia-se em 1949 mas só se consolida no século 21. High School Musical é uma inovação, já que busca atingir o público infanto-juvenil, ao invés de meramente infantil. Esta produção está inserida no contexto do processo de hipermercantilização da cultura que se inicia a partir de 1980 e se aprofunda nos anos seguintes e conseguiu produzir um novo nicho de mercado consumidor, composto pelo público infanto-juvenil pertencente principalmente às classes privilegiadas. Assim, High School Musical 3 é parte da produção cultural descartável produzida para a juventude que ainda se encontra na fase colegial e mesmo crianças acima de dez anos já fazem parte do público deste filme.

 

C) Identificação da Trama do Filme:

A trama do filme High School Musical 3 é o destino dos jovens colegiais do East High School, ou seja, para qual universidade se encaminharão após a formatura, envolvendo principalmente o futuro dos personagens principais, Troy e Gabriella.

 

D) Identificação da Situação Problema e da Mensagem Central.

A principal situação problemática é a futura universidade para onde irão os personagens principais Troy Bolton e Gabriella Montez – que foram os personagens principais dos dois filmes anteriores da série e vivem um romance –, pois Gabriella foi aceita pela Universidade de Stanford[3], e tendia a aceitar, inclusive devido pressão da mãe, e Troy, também submetido à pressão do pai, que queria que ele fosse para uma universidade em que pudesse jogar basquetebol, ficaria muito longe dela. Troy tem também a situação problema adicional da dúvida entre escolher o basquete (o que o pai e seu melhor amigo Chad Dandford gostariam) ou a música.

Outras situações-problema são relativas ao futuro dos demais personagens, inclusive a disputa por uma bolsa para a Julliard School que seria definida por visitantes dessa no dia de apresentação musical no final do ano. A disputa pela bolsa, que apresenta a grande vilã da trama, Sharpay Evans, relaciona diretamente a trama com a música e o show.

A mensagem central relacionada com a situação problemática principal é que o amor supera as dificuldades, pois o casal acaba conseguindo realizar seus sonhos e ficar próximos ao mesmo tempo. Outras mensagens são apresentadas, tal como os perigos da competição desenfreada, tal como se vê na surpresa de Sharpay Evans ao ver sua auxiliar buscando superá-la e ficar em seu lugar.

 

E) Identificação da resolução (ou não-resolução) da situação-problema:

A resolução da situação problemática ocorre no final do filme quando, após diversos desencontros e dificuldade no caminho, Troy encontra a saída: vai para a Universidade da Califórnia, onde desenvolverá suas duas paixões, o basquetebol e a música, e que fica a 50 km da Universidade de Stanford, onde ficará Gabriella, ou seja, é um happy end que mostra que o amor supera os obstáculos. Assim, ele agrada o pai, o amigo e a namorada.

 

F) Relação entre Universo Ficcional e Relações Sociais.

O filme tem o objetivo de atingir o público infanto-juvenil, principalmente os pertencentes às classes superiores, e por isso apresenta um mundo sem grandes problemas e complicações, tal como os personagens. Os personagens são expressões de uma juventude pueril que possuem uma vida idílica.

Assim, o mundo ficcional revela uma juventude pueril, que não possui, devido sua classe social (burgueses e integrantes das classes auxiliares da burguesia), conflitos familiares mais intensos, problemas financeiros graves. Também não possuem desequilíbrios psíquicos ou envolvimento com drogas ou qualquer outra coisa que se afaste do mundo idílico em que vivem. Não ocorrem acidentes, morte de parentes, racismo, nada mais forte ocorre no sentido de perturbar esse mundo estável e tranquilo. Da mesma forma, a sexualidade também está ausente, não havendo nenhum problema neste sentido e isso está muito longe do filme O Clamor do Sexo, Elia Kazan (EUA, 1961), onde a sexualidade é o motor da ação. Há apenas o puro amor romântico de Troy e Gabriella, sem culpas, sem desejo, sem conflitos. Os outros personagens nem amor romântico possuem, com a exceção de Chad Dandford e Taylor McKessie, em rápidas e cômicas passagens. O público infantil pode assistir o filme sem nenhum “constrangimento”, afinal, é um filme Disney que retrata uma juventude pueril e das classes superiores, tão distante da sexualidade quando os personagens das histórias em quadrinhos da Disney.

Os valores apresentados no filme são fundamentalmente dois: o amor romântico e o sucesso. O amor romântico é expresso pelo casal formado pelos personagens principais. Através do amor romântico, eles superam suas dificuldades (inclusive, geográficas) de relacionamento e ainda conseguem o sucesso no show musical, passando por cima da rival Sharpay Evans. Assim, o amor romântico é a chave para a superação dos obstáculos e para o sucesso. A segunda mensagem é a busca do sucesso via competição, que tem em Sharpay Evans a personagem que corporifica exemplarmente este objetivo, mas que não está ausente nos demais. A diferença é que Sharpay usa de todos os artifícios para conseguir o que quer, o que lhe faz fracassar, pois “sem amor” não há sucesso, embora todos queiram conquistá-lo.

A concepção por detrás disso tudo é que a ambição desmedida ou a luta pelo sucesso sem amor leva ao fracasso. Esta lição de moral é tão pueril quanto a juventude retratada no filme. Isto revela duas formas de perspectiva burguesa da realidade social: a forma da classe burguesa expressa por Sharpay Evans, filha de burgueses, cuja mentalidade competitiva aponta para a busca por vencer os adversários, conquistando fama e sucesso; e a forma de setores das classes auxiliares (e que também é forte nas classes inferiores), expressa na maioria dos personagens e especialmente em Troy e Gabriella, o amor romântico como sendo o elemento mais importante da vida.

A arte também aparece como valor, bem como o esporte, e, reproduzindo a escala de valores da sociedade burguesa, a arte antes do esporte. Obviamente que a arte presente no filme é tão pueril quanto os personagens – o que é lógico: artistas pueris produzem arte pueril – e o esporte é um valor abaixo na escala de valores expressa pelo filme. A concepção de arte e esporte é a do mero passatempo, fuga da realidade, que, no fundo, nem precisa de fuga, já que é uma irrealidade, ou seja, é muito idílico para ser verdadeiro. Mas também é o espaço da competição, já que não existe espaço para todos no capitalismo.

A mensagem central do filme, bem como as submensagens, são bastante superficiais e não ultrapassam os clichês da cultura mercantil trivial. Obviamente que o capital cinematográfico e a equipe de produção não pretendiam ir além disso. A idéia é produzir um filme com pouca complexidade, sendo simples e, portanto, compreensível – em seu universo ficcional – para os assistentes infanto-juvenis, sem grandes mensagens, ficando na superficialidade e lugar comum, usando alguns poucos atrativos mais elaborados (a beleza de algumas atrizes, o romantismo que atinge parte do público infanto-juvenil, etc.) e ter retorno financeiro. A conseqüência social do filme é, além do consumo deste produto descartável, o hábito do consumo da cultura mercantil trivial e o reforço de algumas concepções e valores dominantes, bem como a possibilidade de que parte dos assistentes pode tomar os jovens vazios do filme como inspiradores de comportamento.

 

G) Reflexão Pós-Assistência:

O filme High School Musical 3 expressa uma juventude pueril que pode influenciar os assistentes infanto-juvenis como modelos temporários de comportamento e que é mais comum nos Estados Unidos. A juventude norte-americana pertencente às classes superiores e na faixa etária representada pelos jovens do filme possui semelhanças com os personagens pueris apresentados no écran. Sem dúvida, mesmo estes jovens norte-americanos possuem problemas e dilemas mais intensos dos que os que são apresentados no filme, mas não são tão explícitos e que podem ser escondidos como no universo ficcional de High School Musical. Uma sociedade conservadora que reproduz nas suas produções fictícias o seu conservadorismo é o que se vê neste filme.

A juventude pueril domina o universo ficcional do filme e por isso não avança em problematizar as relações sociais ou em acrescentar, seja lá o que for, aos assistentes. O mundo de High School Musical é idílico, puro, romântico, fora dos conflitos sociais e dilemas existentes, inclusive da juventude. O cinema americano passou da juventude transviada para a juventude pueril[4]. Claro que isto não quer dizer que toda a produção cinematográfica norte-americana faça isto. Um exemplo contemporâneo de filme que retrata os dilemas da juventude de forma ampla e profunda é Donnie Darko. A questão é que quem produziu um filme é bem diferente de quem produziu o outro, bem como os objetivos não eram os mesmos.

É por isso que a personagem Sharpay Evans acaba se destacando e sendo a preferida de grande parte do público, apesar de sua condição de vilã. Esta condição de vilã faz a personagem ter mais vida, ser mais humana e verossímil do que os demais personagens, demasiadamente puros, ingênuos, honestos e bons[5]. No filme não há nada que lembre a juventude passada, nem a dos anos 50 nem a da década de 60, não tendo sexo, droga e rock’n roll. O sexo no filme é assexuado e infantil; a droga é inexistente e o rock é apenas uma sombra apagada e superficial, já não tendo mais nada a ver com seu caráter contestador, com sua força melódica e instrumental. A relação dos personagens com o esporte e a arte é tão superficial que parece algo gratuito, tal como quase tudo neste mundo fútil e vazio do High School Musical.

A questão que poderia se colocar é: a juventude pueril apresentada no filme não é mera expressão do público infanto-juvenil que o assiste? A resposta é negativa. Na verdade, a criação fictícia de uma juventude pueril que protagoniza um filme não expressa a juventude real, de carne e osso, mesmo em sua faixa etária mais inferior. Está mais próximo de determinada juventude. A juventude que acaba de sair da infância, que pertence às classes superiores, que estuda no ensino médio e mora nos Estados Unidos, um país extremamente conservador. Assim, a juventude pueril do filme é próxima a um setor da juventude existente principalmente nos EUA, mas, mesmo nesse caso, como a vida concreta é mais complexa do que a ficção superficial, é apenas proximidade.

Sem dúvida, a produção fictícia de Walt Disney Pictures, bem como seus outros meios de comunicação, posição na qual é a segunda maior nos Estados Unidos, tem efeito sobre muitos jovens, nos EUA e, em menor grau, em outros países, influenciando ou reforçando esta imaturalização da juventude. O capitalismo, depois de criar a juventude (Viana, 2004) agora se esforça em criar uma “pré-juventude”, um novo nicho de mercado consumidor, que também tem um efeito político. Até mesmo séries de TV para crianças, como Anos Incríveis[6], ou desenhos animados como Alice no País das Maravilhas, Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske (EUA, 1951) ou ainda filmes como O Pequeno Príncipe, Stanley Donen (Inglaterra/EUA, 1974) conseguem colocar questões muito mais profundas e o público-alvo é constituído por crianças. Assim, o capital cinematográfico e principalmente Walt Disney, são os principais arquitetos desta produção de uma pré-juventude consumidora e pueril, um novo mercado consumidor, que, no entanto, e felizmente, não assiste apenas as produções culturais deste tipo.

 

H) Avaliação

O filme High School Musical 3 não tem muito a oferecer. O universo ficcional é extremamente simples e superficial e os dilemas apresentados são tão pueris que não correspondem a problemas psíquicos, existenciais ou sociais dos assistentes que sejam realmente existentes. O compromisso social do filme é apenas reproduzir alguns clichês de forma superficial para assim poder garantir o mercado consumidor do filme e de todas as mercadorias complementares (CDs com músicas, por exemplo). Os valores e concepções repassados são os dominantes e até isto é feito com tamanha superficialidade que não chega ao nível de inúmeros outros filmes que emitiram a mesma mensagem. O aspecto formal não apresenta nada de diferente em relação ao conteúdo, as músicas e letras também não possuem nenhum significado mais profundo e não ultrapassam a superficialidade.

Assim, a trama é extremamente simples e superficial, tornando o filme bastante desinteressante até para uma assistência contemplativa. Isto pode provocar a questão sobre a razão do sucesso de bilheteria e assistência do filme. O que provoca isso é, por um lado, a publicidade e o poder persuasivo da empresa por detrás da produção, a Walt Disney, cujo poder é enorme, tal já colocamos, nos EUA e no resto do mundo, sendo que a TV por assinatura Disney Channel é mundial e atinge justamente as classes superiores.

Por outro lado, isto é reforçado pelos círculos de amizade e reprodução de influência e pressão social deste público infanto-juvenil e sua extensão para outros grupos, indivíduos, classes sociais. Este último processo é reforçado pela publicidade e propaganda da empresa produtora e dos setores empresariais associados (desde a pequena loja que vende CDs ou DVD que lucra com a vendagem até às grandes, para citar somente um exemplo, sem entrar nas lojas que vendem outros apetrechos e ganham com os produtos ligados ao filme, etc.), cria-se um clima social favorável para tal sucesso, que é uma produção cultural que logo será esquecida por ser descartável, a não para alguns jovens que terão, por razões sentimentais, uma ligação nostálgica com tal produto cultural.

Por conseguinte, trata-se de um filme de baixa qualidade, embora ninguém o chame de “trash”. O significado histórico é ser expressão deste processo de hipermercantilização da cultura que produz produtos descartáveis e nichos de mercado, e que poderá, caso se consolide tal nicho, ser substituído por várias outras mercadorias semelhantes e com a mesma má qualidade. Logo, se trata de um filme comercial, trivial e descartável, cuja avaliação só pode ser negativa, já que a qualidade é baixíssima.

* De todos os filmes analisados no livro abaixo especificado.

[1] Para quem estiver interessado em pesquisar ou assistir filmes semelhantes: Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Jim Gillespie (EUA, 1997); Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Danny Cannon (EUA, 1998); Pânico na Ilha, Jay Chandrasekhar (EUA, 2004); Pânico no Deserto, Dave Payne (EUA, 2005); O Dia do Terror, Jamie Blanks (EUA, 2001); Lenda Urbana, Jamie Blanks (EUA, 1998); Lenda Urbana 2, John Ottman (EUA, 2000); Tudo Mundo em Pânico II, Keenen Ivory Wayans (EUA, 2001); Tudo Mundo em Pânico 3, David Zucker (EUA, 2003); Tudo Mundo em Pânico 4, David Zucker (EUA, 2006) e diversos outros.

[2] Entrar em pânico, sendo que a palavra significa “assustar sem motivo” ou “terror infundado”, pois o filme só assusta criança incauta, sendo mais um filme de “suspense ligeiro” do que de terror, como é costume classificá-lo, ou “entrar em pane”, que é o que ocorre com avião, automóvel ou motocicleta quando há uma “parada por defeito”, ou seja, no sentido metafórico, pois é um filme que pode fazer a cabeça do jovem parar por defeito, devido a tão pouco estímulo intelectual. Claro que os filmes até que podem ser assistidos, já que permitem uma assistência contemplativa, mas em matéria de qualidade são extremamente fracos.

[3] É preciso recordar que o sistema de ensino norte-americano é diferente do brasileiro, sendo que a entrada na universidade não se dá via vestibular e sim, para quem terminou o ensino médio (high school), o exame de aptidão e, para os estrangeiros, o teste de conhecimento em língua inglesa.

[4] Quando a juventude emerge como mercado consumidor, a partir dos anos 1950, na sua segunda metade, surgem filmes que tematizam problemas juvenis, desde Juventude Transviada, Nicolas Ray (EUA, 1955) e Vidas Amargas, Elia Kazan (EUA, 1955) até O Clamor do Sexo, que é de 1961.

[5] Claro que a participação desta atriz e cantora (Ashley Tisdale) em um programa da Disney Channel (Zack e Cody) com uma personagem “proletária” e que às vezes faz discurso crítico e se contrapõe a uma personagem burguesa, tanto por ter maior sensibilidade quanto cultura, é um motivo que reforça isto, bem como outros elementos (sua participação nos filmes anteriores, sua carreira de cantora, etc.). Isto, no entanto, não anula o fato de que a personagem agrada em si, por ser de carne e osso e não mera fantasia vazia por dentro.

[6] Série de TV produzida nos EUA, entre 1989 e 1993.

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Texto publicado originalmente em:

VIANA, Nildo. Como Assistir um Filme. Rio de Janeiro: Corifeu, 2009.


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