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17 de abr de 2018

O Mecanismo e a corrupção brasileira


O Mecanismo, série exibida exclusivamente pela Netflix, tematiza a questão da corrupção na sociedade brasileira, tendo como base os acontecimentos recentes da operação chamada "lava jato". Com Selton Melo como protagonista, a série está disponível na Netflix em sua primeira temporada, com oito episódios. 

O tema fundamental é a corrupção e o universo ficcional gira em torno da sociedade brasileira e do caso da Lava Jato. Assim, doleiros, empresários (onde Bretch é o nome ficcional de Odebretch), policiais, juízes, políticos profissionais aparecem na trama, que é bastante enriquecida ficcionalmente, para ganhar mais atratividade. É nesse contexto que emerge o personagem Ruffo, interpretado por Selton Melo, e outros, que dão mais vida para a narrativa. 

A série foi bastante criticada por petistas, sendo que alguns fizeram campanha de boicote da Netflix. A razão da crítica são as aparições da presidente e ex-presidente (Dilma e Lula, obviamente com outros nomes) e o envolvimento explicitado de ambos no processo de corrupção, inclusive o ex-presidente Higino aparecendo com um dos articuladores de bastidor das empreiteras. O estardalhaço petista é apenas a repetição de sempre: fazer o discurso da inocência de Lula e demais petistas, o que não condiz com a verdade. Sem dúvida, na série aparecem imagens e afirmações não comprovadas e por mais prováveis que tenham ocorrido, isso escapa de uma narrativa realista, a não ser que os produtores tenham acesso a informações que os demais não possuem. 

No entanto, a manifestação dos petistas deixou transparecer que era uma série "contra o PT", o que não é verdade. Logo no início, quando um doleiro é preso por Ruffo, ele diz que o advogado dele é o Ministro da Justiça e que estão envolvidos senadores, governadores, etc. (ou seja, diversos partidos, políticos, governantes) e vários partidos (são citados os maiores: PMDB, PSDB, PT). A intenção do doleiro é mostrar que Ruffo entrava numa guerra que já estava perdida para ele. No final da série, se apresenta a concepção do "mecanismo" (título da série) e novamente aponta a corrupção como algo generalizado, que está na vida cotidiana de todos e que se reproduz, excluindo os que estão fora. O nome da série acaba sendo entendido. Também aparece o discurso de que "todos os presidentes" estiveram envolvidos, que "não existe ideologia" (no sentido de concepção/doutrina política), que "não existe direita e esquerda". Em síntese, não se trata de um ataque ao PT, como quiseram fazer crer os petistas, embora haja um espaço especial para tal partido (mesmo porque era o partido do governo e somente nas mentes fantasiosas se poderia pensar que os petistas, incluindo os que foram presidentes, "não sabiam de nada") e sim uma apresentação da corrupção generalizada na sociedade brasileira. 

O problema é que, pelo menos na primeira temporada, não aparece a raiz da corrupção, ou seja, o que a possibilita e produz. Se isto não for apresentado no decorrer da série, então significará uma naturalização da corrupção. Abaixo um link para um artigo explicativo da corrupção na sociedade brasileira e dois trechos da série na qual Ruffo aponta para o que é o "mecanismo".



A corrupção generalizada:

O "Mecanismo", inexiste ideologia, direita e esquerda:


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